Na manhã deste sábado, 21 de março, a Igreja no Sul de Santa Catarina celebrou a ordenação episcopal do Monsenhor Milton Zonta, SDS, eleito bispo coadjutor da Diocese de Criciúma. A cerimônia foi realizada na Basílica Santuário Sagrado Coração Misericordioso de Jesus, em Içara, e reuniu bispos de várias regiões e países, especialmente do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além de padres, religiosos e leigos de diversas comunidades.
A Santa Missa foi presidida por Dom Jaime Cardeal Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, que conduziu o rito de ordenação ao lado de outros bispos concelebrantes, entre eles, o também Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, O.F.M. Em sua homilia, Dom Jaime destacou a centralidade da oração na vida do ministério episcopal, ressaltando que não há projeto pastoral autêntico que não brote de uma profunda intimidade com Deus. Ao dirigir-se diretamente ao ordenando, recordou o lema escolhido que diz “Que todos Te conheçam” (Jo 17,3), como expressão de uma missão que segue desde o Apóstolos.
“Que o Pai e o Filho possam sempre ser conhecidos e amados, para que o mundo creia e tenha vida. É na oração que encontramos o sustento para a missão. Não existe projeto humano ou pastoral que se sustente sem o espírito da oração”, afirmou o cardeal. O rito seguiu a tradição da Igreja, em um dos momentos mais significativos da vida eclesial. Após a proclamação do Evangelho e o chamado do eleito, a assembleia acompanhou em silêncio e reverência a prece de ordenação e a imposição das mãos pelos bispos presentes, gesto milenar que expressa a sucessão apostólica. Na sequência, Dom Milton recebeu a unção na cabeça e as insígnias episcopais.
Natural de Videira (SC) e membro da Congregação dos Salvatorianos, Dom Milton foi nomeado bispo coadjutor da Diocese de Criciúma em dezembro de 2025, conforme anúncio da Nunciatura Apostólica no Brasil, por decisão do Papa Leão. A função de coadjutor implica colaborar diretamente com o bispo diocesano, Dom Jacinto Inacio Flach, com quem agora partilha a condução pastoral da diocese, assegurando também a continuidade da missão. Com a posse, torna-se o terceiro bispo em missão na Diocese de Criciúma.
Ao final da celebração, a Igreja se manifestou em acolhida. Em nome do Regional Sul 4, Dom Odelir José Magri dirigiu palavras de comunhão e fraternidade ao novo bispo. Representantes do clero, da vida religiosa e dos leigos da Diocese de Criciúma também expressaram alegria e comunhão para caminhar juntos nesta nova etapa.
Visivelmente emocionado, Dom Milton fez seu primeiro pronunciamento como bispo, marcado por gratidão e simplicidade. Recordou sua história vocacional, a presença da família, especialmente de sua mãe, e reconheceu o peso e a beleza da missão que recebe. “Deus me escolheu na minha pequenez, é Ele que chama e sustenta a missão”, afirmou.
Catarinense natural de Videira
Religioso salvatoriano, o monsenhor Milton Zonta nasceu em 2 de junho de 1960, em Videira (SC). Possui formação acadêmica com graduação em Orientação e Supervisão Pedagógica pela Faculdade Moema (SP) e em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (UNISAL), ambas concluídas em 1983. É bacharel em Teologia pelo Instituto Teológico São Paulo (ITESP), com conclusão em 1986, e tem especialização em Pastoral Juvenil pelo Instituto de Pastoral da Juventude (IPJ), de Porto Alegre (1989). Em 1996, realizou curso intensivo sobre Metodologia de Planejamento Pastoral Latino-americano na Pontifícia Universidade Javeriana, em Bogotá, Colômbia.
Ingressou no Seminário Menor dos Salvatorianos em 1975 e realizou o noviciado em 1979. Foi ordenado diácono em 29 de junho de 1986, em Campinas (SP), e presbítero em 17 de janeiro de 1987, em sua cidade natal, Videira. Ao longo de quase quatro décadas de ministério, exerceu diversas funções pastorais, missionárias e de governo, entre elas: vigário paroquial em Videira, promotor vocacional provincial, missionário na diocese de Brejo dos Anapurus (MA), superior provincial dos Salvatorianos no Brasil, conselheiro geral e, posteriormente, superior geral da Sociedade do Divino Salvador (SDS), cargo que exerceu em Roma de 2012 a 2024. Desde 2025 atuava como vigário da Paróquia Imaculada Conceição, em Videira (SC). A Nunciatura Apostólica no Brasil comunicou, no dia 30 de dezembro, que o Papa Leão XIV o nomeou como bispo coadjutor da Diocese de Criciúma. Sua ordenação episcopal está marcada para o dia 21 de março, na Basílica Santuário Sagrado Coração Misericordioso de Jesus, em Içara/SC.
“Que todos Te conheçam” brasão episcopal é carregado de significados
Sob o chapéu verde, ornado nos cordões com doze borlas (seis de cada lado), símbolo do episcopado e da plenitude do ministério pastoral, eleva-se a cruz dourada que sustenta o escudo e indica que a autoridade do bispo está enraizada na cruz de Cristo, sinal do esvaziamento e da entrega, sem reservas. O escudo num mantel dividido em três campos, com destaque para o fundo azul evoca a transcendência e, ao mesmo tempo, é um símbolo mariano da vida interior, de serenidade e de serviço humilde. Deste espaço emana a Eucaristia, centro de toda a vida da Igreja, com a transcrição do nome abreviado de Jesus em grego: IHS (Jesus, Salvador da Humanidade). Este monograma circundado por um resplendor solar, enfatiza a centralidade de Jesus Cristo, Luz Divina que ilumina o mundo. Em adição, evoca o núcleo do carisma salvatoriano de caminhar com a Igreja, em sua missão de tornar conhecido, amado e acolhido Jesus Cristo, único Mediador e Salvador da humanidade. À esquerda, o lírio em sua cor natural, com três flores, remete a São José e às suas três virtudes: pureza, obediência e silêncio fiel. Esta flor branca evoca, sobretudo, a figura de São José como padroeiro da comunidade de origem do bispo (Vista Alegre) e padroeiro da diocese de Criciúma. À direita, a uva, como fruto da videira, cujo fim último é o vinho, representa a entrega total de Cristo pela salvação da humanidade. Recorda também as raízes culturais e religiosas do bispo (Videira, Santa Catarina), bem como de sua vocação de permanecer unido a “verdadeira videira”, a fim de dar “muito fruto”, respondendo ao mandato apostólico de proclamar o Evangelho a todas as nações e criaturas (Mc 16,15) e testemunhar que a salvação é um dom gratuito de Deus para toda a humanidade. Tudo é coroado pelo listel que ostenta o lema episcopal, em latim: “Ut cognoscant Te Omnes” – Que todos te conheçam (Jo 17,3). Este lema é a síntese espiritual e programática de um pastoreio configurado em conhecer e tornar conhecido Jesus Salvador, presença visível da misericórdia do Deus Vivo e Verdadeiro, que é fonte de vida e salvação do mundo.





