Um falso assalto comunicado por um caminhoneiro em Gravatal, no Sul de Santa Catarina, deu origem à investigação que levou ao cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nesta quarta-feira (28). A segunda fase da Operação Laços de Aço atingiu endereços em Blumenau, Indaial, Joinville e Altinópolis, no interior paulista, e apura um esquema de desvio de cargas de bobinas de aço.
O caso começou no início de maio, quando o motorista relatou à polícia que o semirreboque e a carga haviam sido roubados. O material tinha sido retirado em Araquari, no Norte catarinense, e deveria ser entregue em Braço do Norte. Segundo a Polícia Civil, as diligências apontaram que o assalto não ocorreu e que a comunicação teria sido feita para encobrir o desvio.
A apuração identificou indícios de atuação conjunta entre o motorista e o proprietário do caminhão e do semirreboque. Familiares do dono dos veículos também estão entre os suspeitos. Conforme os investigadores, empresas teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade às cargas desviadas e movimentar o dinheiro relacionado aos crimes.
Nesta nova etapa, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 1.157.774 em bens, direitos e valores vinculados aos investigados e às empresas suspeitas. As medidas foram autorizadas após manifestação favorável do Ministério Público e buscam garantir eventual ressarcimento às vítimas.
A Polícia Civil atribui ao grupo pelo menos outros três desvios de bobinas de aço, além do caso registrado em Gravatal. Segundo a corporação, essas cargas também foram retiradas em Santa Catarina, mas os registros falsos de roubo foram feitos em outros estados. Ao fim do inquérito inicial, 11 pessoas foram indiciadas por suspeita de organização criminosa, furtos qualificados, comunicação falsa de crime e adulteração de sinais identificadores de veículos.A primeira fase da operação ocorreu em 5 de agosto, com sete mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Ceará. Em território catarinense, houve diligências em Blumenau, Barra Velha e Otacílio Costa. A identificação de novos suspeitos e empresas motivou a segunda fase, conduzida pela Delegacia de Investigação de Furtos e Roubos de Cargas, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais.