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Desafios enfrentados com acolhimento e profissionalismo

Há quase dois anos a idosa Alda Isa Oliveira, de 77 anos, convive com uma realidade com a qual nunca imaginou se deparar: a deficiência física. Muito ativa, mãe de cinco filhos e acostumada a desfrutar da vida ao lado do marido de forma tranquila, Alda precisou passar por uma cirurgia cardíaca em 2018. Apesar de saber da seriedade do procedimento, o que ela e a família não imaginavam é que este poderia acarretar em uma complicação que resultaria na amputação da perna direita.

Desde então um novo universo se abriu para a senhora, que hoje encara com coragem os desafios de ser uma pessoa com deficiência física e ver o mundo sob essa nova ótica. Assim como para dona Alda, esta quinta-feira (3/12), Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, não é exatamente de comemoração, mas de convite a um olhar mais atento ao assunto.

Se antes de maio de 2018 era normal passear e visitar os familiares sem qualquer percalço, hoje Alda precisa de um pouco mais de preparação para as mesmas tarefas. Graças ao atendimento que recebe no Centro Especializado em Reabilitação (CER), na Unesc, grande parte da rotina já pode ser considerada tranquila novamente, mas nem sempre foi assim.

Conforme a paciente, moradora do Balneário Rincão, foi no CER que ela e a família encontraram não só atendimento especializado para a reabilitação após a amputação, mas acolhimento multidisciplinar que proporcionou maior aceitação, melhor saúde geral e, claro, grandes amizades. “Dois meses após minha cirurgia cardíaca que resultou na amputação eu cheguei à Unesc em busca do atendimento que havia sido indicado para meu caso. Aqui, graças aos caminhos que Deus põe na nossa vida, encontrei uma grande amiga e ex-chefe, a Mágada, que me explicou todo trabalhou e me deu as orientações iniciais”, relembra.

Mágada Tessman, coordenadora do CER, foi a primeira referência encontrada por dona Alda, que logo conheceu os profissionais que lhe atenderiam e tornariam amigos especiais. Os encontros, de acordo com a senhora, aconteciam inicialmente duas vezes por semana, sendo reduzidos para uma vez a cada semana no período de pandemia.

Ao ser encaminhada aos atendimentos o fisioterapeuta Bruno Minotto de Bom, especialista na reabilitação de amputados entrou na história de dona Olga. Conforme o profissional, o trabalho foi focado no fortalecimento e no ganho de consciência corporal diante da nova realidade, para que na sequência, também por meio do atendimento no Centro, fosse possível garantir uma prótese pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e iniciar a adaptação.

Além da fisioterapia, Olga contou, ao longo do período em que é atendida no CER, com atendimento psicológico para apoiá-la no momento de aceitação, além de acompanhamento nutricional, tudo pensando em fortalecer a saúde física e mental. “Não quero nem pensar como seria se não tivesse encontrado tudo isso aqui. Não tenho palavras para agradecer aos profissionais que me receberam tão bem desde o primeiro dia. Por mim, ficaria aqui a tarde toda e viria mais vezes, pois faz muito bem”, garante.

Para Elis Regina Cardoso de Oliveira, de 50 anos, moradora de Santa Rosa do Sul, as viagens para a Unesc são a certeza de um tempo bem investido. Elis também teve a perna direita amputada, porém, no caso dela, em decorrência a um grave acidente de moto.

Ainda no hospital em recuperação da amputação e do acidente sofrido Elis foi orientada pela equipe de enfermagem do hospital sobre a possibilidade de reabilitação oferecida na Unesc. “Logo que cheguei em casa entrei em contato com o CER e contei minha história. Passei por uma entrevista e um tempo depois fui chamada para os atendimentos, que incluíram, neste tempo, serviço de psicologia, nutrição, odontologia e até neurologia. Tudo impecável desde a chegada, a cada consulta e até hoje”, destacou em agradecimento.

Elis, que sai por volta das 13h de casa, viaja até Criciúma com o transporte cedido pelo Município e volta ao final da tarde, tem certeza que vale a pena o trajeto feito a cada semana. “Já cheguei a pensar em encontrar um atendimento mais próximo de casa, já que moro ainda no interior de Santa Rosa, mas nunca procurei outra alternativa porque nada se compara ao que encontramos aqui. Todos se transformaram em amigos, nos conhecem, sabem quando não estamos bem e nos dão muita força. Graças a isso hoje tenho muito mais aceitação sobre o que aconteceu e consigo levar minha vida de forma tranquila, morando sozinha, fazendo tudo que preciso e limpando até o forro de casa”, pontuou.

Assim como Alda e Elis Regina, conforme Mágada, inúmeros são os casos de reabilitações impressionantes possibilitadas por meio do CER. De acordo com a coordenadora, a equipe multiprofissional é engajada e comprometida com o propósito de unir esforços em prol de cada paciente, trocando ideias, experiências e chegando no melhor tratamento possível para os casos. “É desafiador, é claro. A reabilitação é um processo importante, complexo, mas muito recompensador. O trabalho o trabalho com a deficiência física adquirida e a autonomia devolvia a eles, em um detalhe que seja, resgata a autoestima, muda a realidade daquela pessoa e de quem está em sua volta”, pontua.

O Centro Especializado em Reabilitação da Unesc, localizado nas Clínicas Integradas da Universidade, atende de forma gratuita por meio de parceria com a prefeitura de Criciúma. A equipe é formada por profissionais das áreas de Assistência Social, Enfermagem com foco em estomias, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Neurologia, Nutrição, Odontologia, Ortopedia, Psicologia e Terapias Ocupacionais.

Para receber o atendimento da equipe, de acordo com Mágada, o paciente precisa ser encaminhado por meio da Rede de Atenção Básica, Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Associação de Amigos dos Autistas (AMA), sendo que o agendamento deve ser realizado via Unidade Básica de Saúde.

Mais informações sobre o CER podem ser obtidas pelo telefone (48) 3431.2537