A comunidade acadêmica da Unesc e os alunos e professores da Escola de Ensino Fundamental Professor Mota Pires, de Sanga da Toca, em Araranguá, celebram nesta semana uma conquista expressiva para a educação e a ciência regional. O projeto intitulado “Agroecologia como Eixo Transdisciplinar e Inclusivo: Integração entre Educação Ambiental Crítica, Sustentabilidade e Saberes do Campo” foi aprovado no rigoroso crivo do edital nacional “SBPC vai à Escola 2026”, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
O desempenho do projeto ganha contornos ainda mais relevantes diante da alta competitividade: entre centenas de propostas submetidas em todo o território nacional, apenas quatro foram selecionadas no estado de Santa Catarina.
Atrelado ao foco do edital da SBPC, o objetivo central do projeto é promover atividades de extensão e popularização da ciência, estimulando a criatividade de crianças e jovens, além de fortalecer a formação continuada de professores da rede básica. O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) e professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, Carlyle Torres Bezerra de Menezes, é o responsável pela implantação do projeto na escola estadual.
A execução do projeto conta com uma equipe qualificada de egressas e pesquisadoras do PPGCA: a doutora Ana Paula de Matos, a mestre Simoni Daminelli Vieira e a doutoranda e mestre Jaqueline Ferreira Machado de Borba, que desempenha papel estratégico como elo entre a Universidade e a escola, onde também atua como professora.
Segundo a equipe técnica, essa característica torna o colégio um laboratório vivo para práticas de conscientização ambiental, pois a unidade, classificada como “escola do campo”, atende a uma comunidade com laços profundos com a agricultura e a exploração de recursos naturais.
Para o coordenador do projeto, Carlyle, a essência da proposta é a formação de cidadãos conscientes do seu território. “Abordar a educação ambiental de maneira crítica é também tratar da história, das transformações e das relações que a comunidade estabelece com o ambiente em que vive. Conhecer o território, seus recursos naturais e suas problemáticas torna-se fundamental para promover uma formação crítica e uma maior sensibilidade para as questões socioambientais”, afirma o professor.
O coordenador ainda explicou que a proposta do projeto vai além da teoria e prevê uma série de intervenções práticas que impactarão o dia a dia escolar e comunitário. “Entre as ações planejadas, destaca-se a implementação de um sistema de compostagem para o reaproveitamento de resíduos orgânicos, o que resultará na produção de húmus e fertilização natural para a horta escolar”, destacou.
“Complementarmente, o projeto contempla a instalação de um sistema de irrigação inteligente que utilizará água da chuva coletada de uma cisterna já existente na unidade. Outro pilar fundamental é a integração com o projeto de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), visando ao combate ao desperdício e à promoção de hábitos saudáveis, somado à realização de análises técnicas do solo local para fins educativos e produtivos. Com a aprovação, a expectativa é que o projeto se torne uma referência em educação do campo para o Sul catarinense, unindo o rigor acadêmico aos saberes tradicionais da comunidade araranguaense”, concluiu o coordenador.





