Iniciativa amplia acesso ao conhecimento, contribui com remissão de pena e projeta novas possibilidades de reinserção social. (Fotos: Marciano Bortolin/Agecom/Unesc)
Iniciativa da Unesc amplia o alcance da leitura dentro do sistema prisional e projeta novos percursos formativos para pessoas privadas de liberdade com a destinação de 178 livros ao Presídio Regional de Araranguá.
As doações integram o projeto estadual “Despertar pela Leitura”, que estabelece um ciclo de acesso ao conhecimento dentro das unidades. A cada obra lida e resenhada, processo que leva, em média, 22 dias, o interno passa por avaliação. Com aprovação, são quatro dias de remissão da pena.
Para a coordenadora de Ensino e Promoção Social do Presídio Regional de Araranguá, Vanessa Colares de Bitencourt, a iniciativa amplia a visão de mundo, o vocabulário e, consequentemente, as possibilidades. “Nós prezamos por uma melhor reinserção social. O projeto sustenta uma estratégia de mitigação da reincidência ao criar condições para novos percursos após o cumprimento da pena. Com novas obras, eles têm acesso a outros autores, outras narrativas e ampliam as experiências de leitura”, explica.
A diretora de Extensão e Ações Comunitárias da Unesc, Sheila Martignago Saleh, situa a iniciativa dentro do papel institucional da Universidade. “A Extensão projeta a Unesc para além dos muros e estabelece diálogo direto com demandas concretas da sociedade. Quando destinamos livros ao sistema prisional, estamos ampliando acesso ao conhecimento e contribuindo para processos formativos que podem reconfigurar trajetórias. É uma ação que sustenta cidadania, dignidade e oportunidade”, enfatiza.
Demanda crescente e limites estruturais
Atualmente, o Presídio de Araranguá reúne cerca de 500 apenados, enquanto o projeto atende, em média, 160 participantes e com fila de espera. “A seleção prioriza internos já condenados, o que permite reduzir a pena ao mesmo tempo em que amplia o acesso à educação”, observa o diretor da unidade, Daniel Possamai Vieira.
A procura elevada revela que a leitura passa a ocupar um espaço estruturante na rotina dos internos. Em um ambiente marcado pela ociosidade, o livro reorganiza o tempo e desloca o foco para uma atividade formativa.
Para a professora orientadora de leitura, Joelma Rodrigues Alves, esse movimento se traduz em um engajamento crescente. “Eles se concentram na leitura e, como há um prazo para concluir o livro, esse tempo passa a ser bem utilizado. Além das obras voltadas à remissão, muitos optam por retirar um segundo livro para leitura livre, o que amplia o vínculo com o hábito. Alguns detentos, inclusive, nunca tinham pego um livro. Eles dizem: ‘professora, me apaixonei pela leitura e vou continuar quando sair daqui’”, revela.
Biblioteca e compromisso social
A Biblioteca Eurico Back mantém fluxo permanente de doações, o que permite tanto a qualificação do acervo próprio quanto o direcionamento a outras instituições.
“Estes livros são oriundos da campanha que fizemos na biblioteca e de doações recebidas entre uma campanha e outra. Recebemos doações de forma permanente. Os livros doados podem entrar no nosso acervo ou serem enviados para outras instituições. Sabemos que muitas vezes é difícil desapegar de um livro, por isso é sempre muito importante agradecermos as pessoas que doam e que confiam no nosso trabalho”, explica a coordenadora, Elisangela Just Steiner.
Quem quiser doar algum livro, pode levá-lo diretamente à Biblioteca Eurico Back, no bloco da Reitoria, no campus da Unesc.




