Uma bebê de dois meses precisou ser internada após cair de uma maca durante um atendimento médico na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Mato Alto, em Tubarão. O caso aconteceu no dia 4 de agosto e passou a ser investigado pela Polícia Civil depois que a mãe, Beatriz, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) do município.
Segundo o relato da mãe, ela havia levado a filha, Amanda, para uma consulta de rotina. Durante o atendimento, a estrutura da maca teria cedido, fazendo com que a criança caísse ao chão.
“Ela caiu, escorregou da maca já direto para o chão. A parte da maca desceu e ela foi rolando até bater no chão. A gente ficou sem reação na hora, sem entender a gravidade do que tinha acontecido”, contou Beatriz.
Após a queda, a bebê foi examinada na própria unidade e, inicialmente, retornou para casa com a mãe. Porém, segundo Beatriz, Amanda passou a apresentar um comportamento diferente e chorava de forma intensa.
“Cheguei em casa, botei ela para deitar e ela começou a gritar muito. Eu pensei: tem alguma coisa errada, eu vou levar ela ao hospital de novo”, relatou.
A criança foi então levada ao Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, onde passou por exames. De acordo com a mãe, uma primeira avaliação teria indicado que a tomografia estava normal e a família recebeu orientação para observar o inchaço provocado pela queda.
Ainda naquela noite, diante da persistência do choro, Beatriz acionou o Corpo de Bombeiros e voltou ao hospital com a filha. Em uma nova avaliação médica, a família foi informada de que o exame apresentava alterações.
“Foi aí que descobriram que ela estava com o crânio fraturado e com um sangramento. Foi quando a gente realmente entendeu a gravidade da queda”, afirmou.
Amanda foi internada na UTI pediátrica e permaneceu sob acompanhamento médico até o dia seguinte. Uma nova tomografia apontou que o sangramento havia desaparecido, mas a fratura permanecia. Segundo a mãe, os médicos explicaram que a recuperação do crânio pode levar meses.
Depois da alta, a bebê apresentou episódios de espasmos involuntários e precisou retornar ao hospital. Ela ficou novamente internada por quatro dias. Atualmente, segundo Beatriz, a criança segue em acompanhamento e deverá passar por avaliações com pediatra e neurologista.
“A gente está fazendo exames e acompanhamento. Ela vai precisar de acompanhamento pediátrico e neurológico. A gente ainda está vendo tudo o que vai ser necessário daqui para frente”, explicou.
O boletim de ocorrência foi registrado pela mãe no dia 6 de agosto. Logo, foi instaurado um inquérito policial para apurar as circunstâncias do acidente.
A ocorrência foi registrada inicialmente como lesão corporal culposa, situação em que não há, em princípio, intenção de provocar o dano. A investigação deverá analisar as circunstâncias da queda e verificar eventuais responsabilidades.
A maca utilizada no atendimento deverá passar por perícia da Polícia Científica. Até o momento, os envolvidos ainda não haviam sido intimados para prestar depoimento.
Para Beatriz, uma manutenção adequada poderia ter evitado o acidente.
“Se tivesse sido feita uma manutenção na maca, se alguém tivesse verificado as condições dela, talvez isso pudesse ter sido prevenido”, afirmou.
A mãe também espera que a investigação esclareça a sequência de acontecimentos e avalie a conduta adotada durante o atendimento hospitalar.
“Eu espero que a Polícia Civil consiga esclarecer tudo e que, se houve negligência, os responsáveis sejam responsabilizados. O que aconteceu com a minha filha eu não quero que aconteça com nenhuma outra mãe”, disse.
Prefeitura retira equipamento de uso
Em nota, a Secretaria de Saúde de Tubarão informou que tomou conhecimento do acidente no mesmo dia e que mantém contato com a família. Segundo o município, equipes da unidade, a secretária de Saúde e o prefeito realizaram visitas e acompanham a situação.
A Prefeitura confirmou que a maca foi retirada de uso e será submetida a uma avaliação técnica. Também foi determinada a verificação das condições de equipamentos semelhantes utilizados em outras unidades da rede municipal.
Além disso, foi aberta uma apuração administrativa para verificar as circunstâncias do ocorrido.
O município afirmou lamentar o acidente e disse manter o compromisso com a segurança dos pacientes.
Hospital afirma que atendimento seguiu protocolos
Questionado sobre o primeiro atendimento realizado no Hospital Nossa Senhora da Conceição, o Instituto Maria Schmitt (IMAS), responsável pela administração da unidade, informou que a assistência prestada seguiu os protocolos e critérios técnicos relacionados ao quadro clínico apresentado pela criança naquele momento.
Segundo o instituto, as decisões da equipe médica foram tomadas a partir da avaliação clínica e dos exames realizados durante o atendimento.
O IMAS também afirmou que mantém o compromisso com a segurança dos pacientes e com a adoção de condutas consideradas tecnicamente adequadas.
Enquanto a investigação avança, a família concentra os esforços no acompanhamento da bebê e na busca por respostas sobre o que aconteceu naquele dia.
“Hoje ela está mais ou menos bem, mas a gente está vivendo um dia de cada vez, fazendo os exames e acompanhando tudo. E agora é esperar para saber como ela vai evoluir”, afirmou Beatriz.





