A reconstrução da Igreja Matriz de Treze de Maio já é tratada como um caminho necessário após o incêndio que atingiu o templo na manhã de domingo (11). Em entrevista exclusiva ao SulinFoco, o bispo da Diocese de Tubarão, Dom Adilson Pedro Busin, afirmou que os danos observados inicialmente indicam comprometimento significativo da estrutura e destacou a mobilização dos fiéis diante da perda de um dos principais espaços de referência da comunidade.
O fogo começou por volta das 10h22, pouco depois do encerramento de uma missa, e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar e voluntários de municípios da região. Após o controle das chamas, os trabalhos passaram à fase de rescaldo. A origem do incêndio deverá ser determinada por investigação técnica.
Ao tomar conhecimento do ocorrido, Dom Adilson estava em Encantado, no Rio Grande do Sul. Segundo ele, a confirmação da notícia o levou a seguir diretamente para Treze de Maio, onde acompanhou a comunidade e participou da celebração realizada na noite de domingo.
“Foi um momento muito doloroso encontrar a comunidade diante de uma situação como essa. A igreja representa a história construída ao longo dos anos, a identidade da paróquia e o lugar onde as pessoas se encontram. É natural que os fiéis sintam essa perda”, relatou o bispo.
Na mesma noite, a missa foi realizada em um salão paroquial, adaptado para receber os participantes. O espaço passou a funcionar provisoriamente como local das celebrações, enquanto a comunidade aguarda os próximos encaminhamentos sobre o templo atingido.
A tragédia também ocorreu em uma data especial para o padre Lino, responsável pela paróquia, que completava 45 anos de sacerdócio naquele domingo. Conforme Dom Adilson, o incêndio destruiu as vestes litúrgicas do padre, que conseguiu preservar apenas as que estavam em seu carro.
Estrutura pode precisar ser demolida
A avaliação inicial aponta que a recuperação do prédio pode não ser viável. De acordo com Dom Adilson, o telhado foi atingido e há sinais de comprometimento nas paredes, que apresentam rachaduras e deformações.
“O que foi observado até agora indica que a estrutura ficou muito comprometida e que talvez seja necessário retirar o que restou e começar a construção de um novo templo. Ainda precisamos respeitar os procedimentos técnicos e aguardar as avaliações para entender o que poderá ser preservado”, explicou.
O bispo informou que a área foi isolada e ressaltou a importância de respeitar as restrições de acesso. A análise dos danos envolve os responsáveis pelo patrimônio da Diocese, representantes da paróquia, a seguradora e os órgãos técnicos competentes.
Na segunda-feira (12), foram realizados encontros para tratar dos primeiros encaminhamentos relacionados ao imóvel e ao seguro. A perícia deverá contribuir para esclarecer as circunstâncias do incêndio e orientar as decisões sobre a estrutura.
Até o momento, não há uma causa confirmada para o fogo. Dom Adilson pediu cautela diante de especulações que circulam sobre o episódio e afirmou que qualquer conclusão deve partir de informações oficiais.
“É importante que a gente não antecipe explicações nem espalhe suposições sobre o que aconteceu. Precisamos aguardar o trabalho dos profissionais responsáveis pela perícia, que têm competência para avaliar a situação e apontar as possíveis causas”, declarou.
Comunidade se mobiliza para reconstrução
Apesar da tristeza, o bispo afirma que encontrou os moradores dispostos a superar o impacto inicial e iniciar um novo capítulo na história da paróquia. A solidariedade também começou a aparecer por meio de manifestações de apoio e ofertas de ajuda.
Segundo Dom Adilson, paróquias da Diocese de Tubarão se colocaram à disposição para colaborar, e pessoas de outras regiões também demonstraram interesse em contribuir. Entre os gestos recebidos está a oferta de um profissional disposto a elaborar um projeto arquitetônico para a futura reconstrução.
“É uma comunidade que está triste, mas que já começa a dizer que vai reconstruir. A fé e o sentimento de pertencimento estão ajudando os moradores a permanecerem unidos neste momento. A solidariedade que estamos recebendo também mostra que eles não estão sozinhos”, afirmou.
O bispo avalia que a reconstrução exigirá planejamento e organização, principalmente porque ainda é necessário concluir as avaliações técnicas, definir o que poderá ser aproveitado e elaborar o projeto para o novo espaço.
Ele também destacou que a Diocese conta com seguro para o templo, mas que ainda não é possível estabelecer como será conduzido todo o processo de reconstrução nem quais recursos serão necessários.





