A expressão “ciclone bomba” ganhou força nesta quarta-feira (5) e chamou a atenção pelas previsões divulgadas nas redes sociais. Apesar do nome impactante, especialistas ouvidos pelo Sul In Foco afirmam que o fenômeno não deve provocar um cenário extremo no Sul de Santa Catarina. Os efeitos mais significativos devem ocorrer sobre o oceano e em áreas de serra, enquanto para a maior parte da região a principal consequência será a queda nas temperaturas.
O agrometeorologista Ronaldo Coutinho, da Climaterra, explica que o termo “ciclone bomba” se refere à rapidez com que o sistema se intensifica, e não necessariamente ao potencial de destruição.
“O ciclone recebe esse nome porque a pressão atmosférica cai muito rapidamente, mais de 24 milibares em menos de 24 horas. Neste caso, ele se intensifica já sobre o oceano, afastado da costa do Rio Grande do Sul”, esclarece.
Segundo Coutinho, os ventos mais fortes devem atingir principalmente o litoral gaúcho e regiões serranas. Em Santa Catarina, as rajadas mais intensas são esperadas nas áreas mais elevadas, como a Serra do Rio do Rastro, enquanto o litoral sul pode registrar ventos próximos de 70 km/h. “O ciclone bomba afeta muito mais o oceano. Para nós, além do vento em alguns pontos, ele traz a entrada de uma massa de ar frio”, destaca.
O climatologista da Epagri, Márcio Sônego, reforça que os ventos mais fortes ficarão concentrados no Costão da Serra entre a madrugada e a manhã de sexta-feira (7).
“Na área urbana de Praia Grande e Timbé do Sul o vento pode chegar a 70 km/h. Já na Serra da Rocinha, Serra do Faxinal e Serra do Rio do Rastro, as rajadas passam dos 80 km/h. Nas cidades da planície, como Criciúma, Araranguá, Morro da Fumaça e Sangão, o vento será bem mais fraco, sem nada fora do normal”, explica.
Para o professor Michael Peterson, do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Unesc, o fenômeno é comum nesta época do ano e não justifica o alarmismo.
“É um ciclone bem padrão, que acontece com frequência na nossa região. Vai trazer um pouco de vento no litoral, chuva e tempo instável, mas nada muito além disso. A principal consequência será o frio a partir de sexta-feira, que deve permanecer durante o fim de semana e também no início da próxima semana”, afirma.
Os três especialistas concordam que o sistema merece acompanhamento, mas enfatizam que, neste momento, não há indicação de um evento extremo para a maior parte do Sul catarinense. A recomendação é acompanhar os avisos oficiais e redobrar a atenção apenas nas áreas de serra, onde as rajadas de vento tendem a ser mais intensas.





