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Devoção: há 22 anos, mãos entregam imagens sacras reconstruídas

Em dois ofícios diferentes, o Nilton Santos Motta materializa o cuidado e a valorização da beleza. Morador da localidade de Vila Nesi, em Treviso, divide o tempo dedicado à vida laboral entre a MIna Fontanella, da Carbonífera Metropolitana e a restauração de imagens sacras. Na próxima segunda-feira (4), os dois ofícios se encontrarão na tradicional procissão em honra a Santa Bárbara, padroeira dos mineiros.

Os dias de Nilton são divididos em dois períodos: às 5h da manhã até às 14h, ele se dedica à função de ao trabalho como Serviços Gerais na Carbonífera Metropolitana e, ao voltar para casa, dedica o tempo e o esmero à arte. O trabalho mais recente foi para deixar a imagem de Santa Bárbara, de quem é devoto, em perfeitas condições para a próxima segunda-feira (4), feriado municipal em Treviso, quando ele e os colegas a recebem e, junto à comunidade, participam de uma procissão em honra à padroeira. O cortejo sairá da frente da mina em direção à igreja matriz da cidade.

A restauração na vida de Nilton

A paixão pela arte iniciou ainda criança, quando acompanhava sua avó em missas e celebrações religiosas. “Eu sempre ficava perto das imagens de santos quando eu entrava nas igrejas e nas grutas. Eu olhava todos os detalhes, cores e traços. Isso sempre me chamou muita atenção”, relata Nilton.

Em 2001, ele resolveu se aprofundar na área e realizou um curso em Florianópolis para aprimorar o talento voltado para pinturas e reconstruções de imagens sacras. De lá para cá, muitas igrejas da região, receberam das mãos de Nilton, imagens renovadas de seus padroeiros. “Eu restaurei as imagens da igreja de São Marcos, em Criciúma, reconstruí também muitas imagens nas capelas e paróquias de Treviso, Lauro Müller e Urussanga. Nossa Senhora Aparecida, Santa Rita de Cássia, São Miguel Arcanjo, entre tantos outros já tive o prazer de trabalhar”, cita. Segundo seus cálculos, a carreira de restaurador já acumula mais de 200 imagens trabalhadas.

Nilton sente um amor muito grande por seu trabalho, que em muitas oportunidades é realizado de forma voluntária. “Eu ainda tenho 1.038 imagens sacras na minha casa, são lembranças de amigos e familiares que viajaram para vários países. Além disso, meu trabalho proporciona grandes vínculos de amizades, conheci muita gente bondosa, de bom coração e de muita fé”, enaltece.