Economia

A dúvida cruel: em que investir com a Selic baixa?

Desde outubro de 2016, a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, vem seguindo um ciclo de quedas: de 14,25% a.a. (ao ano) para os atuais 6,5% a.a. O objetivo da redução é estimular a retomada da economia. Uma recuperação ainda lenta, analisando o tímido crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. Para os investidores, o reflexo desse movimento nos juros está na queda dos retornos de algumas aplicações. Diante desse novo cenário, em que vale investir?

O Sicredi, instituição financeira cooperativa com mais de 3,7 milhões de associados e presente em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal, reforça que essa decisão precisa ser baseada no perfil do investidor e nos seus objetivos, levando em consideração as alternativas do mercado.

Poupança e renda fixa

 O gerente de produtos de investimentos do Banco Cooperativo Sicredi, Felipe de Oliveira Azevedo, afirma que a poupança continua sendo uma boa alternativa para aqueles recursos que vão ser usados nos curto e médio prazos. “Poupar é interessante especialmente pela alta liquidez e isenção de Imposto de Renda para Pessoas Físicas”. O gestor garante ainda que os produtos de renda fixa também seguem vantajosos. “Já é possível negociar um prazo mais longo para as operações e, com isso, esperar uma rentabilidade mais atrativa”, orienta o gestor.

Fundos multimercado

 Segundo Azevedo, desde o início de 2017, a captação líquida em produtos de diversificação, que buscam um retorno superior à renda fixa tradicional, aumentou de forma significativa. “Neste contexto, os fundos multimercado têm se destacado por representar uma alternativa interessante aos investidores, pois como o nome diz, podem atuar em diversos mercados, como juros, crédito privado, moedas e renda variável”, explica ele. “Em geral, a exposição ao risco nesses fundos é inferior aos fundos que aplicam a maior parte do patrimônio em ações, por exemplo”, finaliza o gestor.

Autoconhecimento e consultoria financeira

 Com todas essas opções, como identificar a mais aderente ao seu perfil? Para essa pergunta, a gerente regional de desenvolvimento da Sicredi Sul SC, Karine Colombo Crocetta, reforça que os investimentos sempre oferecem uma relação risco versus retorno. “A poupança e os produtos de renda fixa são adequados para todos os perfis, em especial para aqueles mais conservadores. Já os fundos multimercado ou os produtos de renda variável são recomendados para investidores que sabem das variações e aceitam retornos inferiores ou até negativos no curto prazo com o objetivo de ganhos mais expressivos no médio e longo prazo”, resume Karine.

Cenário para investimento

 De acordo com o economista e diretor executivo da Sicredi Sul SC, Erli Silveira Lima, para 2018, é esperado que o mercado ainda apresente alta volatilidade. “Investimentos nos mercados de câmbio e ações, em função de incertezas de natureza externas, como a dinâmica de juros dos EUA e principalmente internas, capitaneadas pelas eleições de outubro. Com isso, o mais recomendado é ficar de olho no andamento do cenário econômico e investir de acordo com o seu perfil”, completa Lima.